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No sábado passado, Gabi e eu fomos passear no Centro Histórico, na Rua dos Andradas, como fazíamos com frequência quando ainda não morávamos juntos. Na época, eu morava no Centro, e ela ia para o meu apartamento nos fins de semana.


Descemos do Uber em frente à padaria Café & Confeitaria Andradas e caminhamos alguns metros até a livraria Beco dos Livros, nosso primeiro destino do passeio. Entramos na livraria e começamos a procurar não por algum autor em específico, mas por obras que nos despertassem o interesse, ou seja, que nos fizessem pegar o livro na mão e dizer: “Veja, gostei deste aqui. Acho que vou levá-lo.”


A livraria estava relativamente cheia, talvez porque não estivesse chovendo, diferentemente de sexta-feira, quando caiu um grande volume de chuva. O tempo estava muito agradável para passear na rua.


Gabi escolheu três livros, e eu escolhi somente um. Ela estava mais inspirada do que eu. Não sei se ela escolheu os livros ou se foram os livros que a escolheram. Talvez vice-versa. Nos direcionamos até o caixa, pagamos e fomos em direção à porta de saída rumo ao próximo destino do passeio.


Nosso segundo destino do dia foi a padaria artesanal Pão e Maria, na nova unidade da Rua dos Andradas. A proposta dessa nova unidade ficou muito bacana; o espaço é maior e bem aconchegante. No entanto, assim como a livraria, a padaria também estava relativamente cheia. Havia pessoas tanto nas mesinhas internas da padaria quanto nas mesinhas externas, em frente à padaria, na calçada.


Porém, quando chegamos, por sorte, digamos assim, havia uma mesa para dois disponível na parte interna da padaria que parecia, de algum modo, nos aguardar. Sentamos nela e começamos a olhar o cardápio que, para a alegria de muitos, e também a nossa, era físico.


No primeiro momento, ao olhar o cardápio, ficamos levemente frustrados ao perceber que o farroupilha de mortadela e queijo prensados na focaccia não estava no menu. Pensamos: “Como assim? O que aconteceu?” Gabi chegou até a perguntar à atendente, e ela prontamente confirmou que ele não estava mais no cardápio.


Aceitamos o fato como quem aceita que é preciso trabalhar para pagar as contas de casa e voltamos a analisar minuciosamente o que poderia haver ali no cardápio que fosse, de algum modo, à altura do delicioso, gostoso e saboroso farroupilha que havíamos experimentado na unidade da Pão e Maria da Duque de Caxias, também no Centro Histórico.


Não demorou muito para que tomássemos firmemente a nossa decisão. Gabi pediu um queijo quente, que basicamente é o pão da casa com queijos e crosta de maionese da casa. Eu pedi uma torrada de presunto, queijo e mostarda. Em relação às bebidas, nós dois pedimos café.


Rapidamente, toda nossa frustração sumiu como uma nuvem passageira no céu quando nosso pedido chegou à mesa e fomos positivamente surpreendidos com o que se apresentava diante de nossos olhos.



Meu Deus, como isso estava delicioso.

Pouco tempo depois, uma senhora elegantíssima chegou acompanhada por outra senhora, provavelmente uma amiga, também muito bem vestida, e sentou-se na mesa próxima à nossa, atrás da Gabi. Ela usava um óculos Prada e tinha uma postura digna de inveja, especialmente para mim, que, naquela circunstância, segurava sob um guardanapo de papel uma torrada de presunto, queijo e mostarda e usava um boné com a frase “a vida pede livros” e uma camiseta preta do Kafka para demonstrar minha admiração pelo autor.


As duas senhoras estavam acompanhadas de um senhor de cabelo branco que usava óculos de grau e mexia no seu smartphone com as duas mãos: uma para segurar o aparelho e a outra, com o polegar direito, para rolar a tela. Ele havia chegado antes das duas senhoras à padaria e, portanto, as aguardava no local.


Esse senhor parecia alguém importante. Passava até uma pinta de intelectual. Digo isso porque, em certo momento, o dono da padaria foi até a mesa dele para cumprimentá-lo.


Nosso terceiro e último destino do dia foi o Empório do Cookie, localizado na Rua Duque de Caxias. Não satisfeitos depois de tomarmos um ótimo café da tarde, precisávamos de um doce. Nossa intenção também era utilizar o POA em Dobro, pois vimos que o Empório do Cookie tinha essa opção.


Para quem ainda não sabe, o POA em Dobro é um projeto de tour gastronômico criado para estimular as pessoas a conhecer novos lugares em Porto Alegre. A iniciativa é focada no conceito “compre um prato e ganhe outro”. Você compra o cupom pelo aplicativo deles, quando disponibilizam os lotes, e depois pode utilizá-lo em inúmeros restaurantes de Porto Alegre.


Quando estávamos quase chegando ao Empório do Cookie, avistamos um casal que vinha na direção contrária à nossa.


“Rafael, olha aquele casal”, disse Gabi. “Eles também estão indo ao Empório do Cookie. Quer ver que eles também estão indo usar o POA em Dobro?”, concluiu ela, olhando para mim e sorrindo em seguida.


Gabi acertou na mosca. Quando entramos na loja, a mulher do casal estava com o celular na mão e o aplicativo do POA em Dobro aberto na tela. Ela conversava com o atendente sobre quais sabores se aplicavam ao POA em Dobro enquanto decidia qual teria que pagar e qual ganharia de graça.


Foi tudo rápido e, em seguida, chegou a nossa vez. Escolhemos nossos dois cookies, pagamos somente por um e ganhamos o segundo de graça. Agradecemos ao atendente e fomos embora.


Caminhamos até um outro lugar mais seguro para chamar um Uber de volta para casa. Chegando em casa, provamos um dos cookies e guardamos o outro na geladeira para depois.


O cookie estava delicioso de um jeito que eu não saberia explicar. Não era daqueles cookies que você morde e parece que vai perder um dente. Pelo contrário, ele era macio e tinha bastante recheio na parte interna. Simplesmente, assim que puder, tire um fim de semana para fazer esse passeio. Convide alguém para fazê-lo com você e prove tudo o que disse aqui: o queijo quente feito com pão da casa, queijos e crosta de maionese da casa; a torrada de presunto, queijo e mostarda da padaria Pão e Maria; e os cookies artesanais e extremamente deliciosos do Empório do Cookie.


Prove, e você não irá se arrepender. Não esqueça de me mandar uma mensagem de agradecimento depois.


Até logo.

  • 31 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

Chegamos ao último dia de 2025 (finalmente). Aqui estão os seis livros que li neste ano.







5. As ferramentas perdidas da aprendizagem - Dorothy Leigh Sayers


6. The Discovery of Slowness - Sten Nadolny


Se você se interessar, aqui estão também os livros que li em 2020 e os livros que li em 2024. Que 2026 seja um bom ano.

  • 15 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Eu gosto de livros. Bastante. Mas, nem sempre foi assim. Acho que tive um pouco de sorte, por assim dizer, de pegar o gosto pela leitura antes que fosse tarde demais. Não que eu ache que exista um tempo exatamente certo para isso, mas volta e meia pego-me pensando em todo o tempo que perdi não lendo algum bom livro.


"Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro", escreveu Henry David Thoreau.


Eu concordo plenamente com Thoreau. Pude sentir isso em minha própria pele, em minha própria vida.


"Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós", disse Franz Kafka.


Muitos livros nos fazem ver coisas, sentir coisas que jamais poderíamos ver ou sentir antes de lê-los. Eles de fato quebram o mar gelado em nós, revelando o que há de mais profundo no oceano.


"Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes", escreveu Emily Dickinson.


"Livros são pequenos pedaços portáteis e divertidos de pensamento", disse Susan Sontag.


Os livros sempre abrem espaço para que possamos navegar pelo novo. É por isso que Borges afirma que "nunca se lê 2 vezes o mesmo livro".


"Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo", escreveu Hermann Hesse.


Adoro isso. Talvez essa seja a parte mais interessante da leitura como um todo: conhecer e conversar com o autor; compreender o seu modo de pensar em cada linha, em cada verso, em cada parágrafo que se completa; identificar suas dores e desafios; descobrir, por meio de sua narrativa, o que o levou a chegar onde ele chegou e na história que ele dedicou-se a contar.


Acho que no fundo é pouco sobre isso.

Eu gosto de livros. Bastante.

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