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Domingo passado foi o dia das mães. O dia da minha mãe. O dia da sua mãe. O dia de todas as mamães. Para mim, no entanto, o dia da mulher mais importante da minha vida. A pessoa que eu amo mais que tudo nesse mundo. O dia da mulher que, como disse Conceição Evaristo, em Poemas da recordação e outros movimentos:


"... me fez sentir

as flores amassadas

debaixo das pedras

os corpos vazios

rente às calçadas

e me ensinou,

insisto, foi ela

a fazer da palavra

artifício

arte e ofício

do meu canto

da minha fala."


Quando a jornalista e escritora Liliane Prata perguntou: "O que você aprendeu com a sua mãe?" Eu pensei em tantas coisas. Não dá para contar nos dedos. Tornou-se difícil enumerar tudo que ela já me ensinou.


Em geral, eu acho que as mães nos ensinam muitas coisas. Principalmente, a nunca desistir. Elas são guerreiras. Nunca abandonam o barco.


Na última cena do filme Extraordinário, dirigido por Stephen Chbosky, Auggie é chamado pelo Diretor Tushman para receber a medalha de honra Henry Ward Beecher. Ele agradece aos pais e a irmã, cumprimenta seu amigo Jack Will e dirige-se ao palco com os seguintes pensamentos:


"Enquanto eu caminhava em direção ao palco, eu me senti flutuando, meu coração batia tão rápido, eu nem sabia por que estava ganhando aquela medalha. Eu nem tinha destruído a estrela da morte. O que eu fiz foi só terminar o quinto ano como todos os outros aqui.


Por outro lado, talvez este seja o segredo. Talvez a verdade seja, que eu não sou tão comum

assim. Talvez se soubéssemos o que as outras pessoas pensam, saberíamos que ninguém é

comum, e que todos merecem ser aplaudidos de pé pelo menos uma vez na vida. Os meus

amigos, meus professores, a minha irmã por sempre ter estado ao meu lado, o meu pai por sempre nos fazer rir, e com certeza a minha mãe, por nunca desistir de nada, principalmente, de mim."


O que o Auggie pensou enquanto caminhava em direção ao palco para receber a sua medalha de honra, é, de alguma maneira, tudo o que eu pensei agora. Queria dizer isso a mamãe. Então, eu escrevi:


Mãe, obrigado por nunca desistir de nada. Especialmente de mim. Feliz dia das mães!

  • 6 de mai. de 2020
  • 1 min de leitura

Algumas semanas atrás, eu fiz esse desenho de contorno cego no meu diário. Pode parecer um pouco demorado da minha parte, mas só agora, eu notei o quanto eu gosto de desenhar ouvindo música. Em especial, música eletrônica. Às vezes, música clássica.


Há uma coisa em comum entre o desenho e a música. Essa coisa chama-se ritmo. Note que desenhar tem um ritmo. Você coloca o lápis no papel e ao manuseá-lo sobre tal, uma linha, um ponto, um traço, o que quer que seja ganha vida sobre a folha. Torna-se tangível. Em dado momento, essa linha encontra outra e outra e dá um ritmo para o trabalho. Claro que quem dita o ritmo somos nós. Porém, e quando ainda não temos um ritmo próprio? Então, é preciso encontrá-lo.


Da mesma forma, embora diferente, toda música tem um ritmo. Um nota encontra outra e outra e o ritmo se dá. Para Paulo Caruso, “a música é o desenho pra cego. Ela tem uma outra linguagem, uma outra capacidade de informar a respeito dos acordes e da sonoridade."


Quando você une as duas coisas, desenho e música, isso funciona como uma espécie de terapia. É uma combinação de arte que vale a pena cultivar.


Essa máxima da Flannery O'Connor explica, exatamente, por que eu escrevo. Eu só sei o que sei quando escrevo. Ou seja, quando eu materializo um pensamento no papel ou no computador. Então, depois disso, eu o leio e descubro o que sei. Às vezes, a sensação que eu tenho é que não sei nada. Por isso, eu escrevo.


Eu escrevo para descobrir o que sei e aprender o que não sei.

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